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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Lançamento] O POVO lança primeiro livro-reportagem "A Peleja da Água"


 
O lançamento de “A Peleja da Água - Reportagens Etnográficas”, o primeiro livro-reportagem publicado pelo O POVO em seus 91 anos de história, será nesta quinta-feira, 4 de abril, às 19 horas, no Espaço O POVO de Cultura & Arte (na sede do O POVO – av. Aguanambi, 282, José Bonifácio).

Em 130 páginas, a obra se abastece de duas décadas de cobertura jornalística, mapeada num recorte de 15 cadernos especiais, para investigar percursos e personagens e tratar, principalmente, do que é o mergulhar reportagem adentro sobre o território semiárido. A jornada foi iniciada em 2000, quando se especulava sobre a transposição do rio São Francisco, e chega a 2019 falando dos sertões possíveis de hoje. Houve um 2018 que choveu só até a média esperada e, nos seis anos anteriores seguidos, 2012 a 2017, faltou água em muitos roçados e reservatórios. Daí o pelejar do título.

"É um livro-reportagem sobre reportagem, de uma cobertura que foi além da factualidade da pauta", bem define o repórter Demitri Túlio, estradeiro de muitas apurações e um dos que assinam a obra. A escrita também é regada pelos repórteres Ana Mary C.Cavalcante, Cláudio Ribeiro, Jáder Santana e Thiago Paiva, todos do Núcleo de Jornalismo Investigativo do O POVO. Por um mês, o grupo se embrenhou na releitura do que o jornal abordou neste século XXI de chuvas eventuais, uma grande seca e muitos aprendizados. Uma costura de perspectiva histórica e jornalística.

"É uma trajetória de cobertura que mostra uma sutil e profunda mudança na relação humana, da sociedade e do poder público com os fenômenos ambientais. Não se pode dizer que temos uma solução apaziguada e resolvida, mas os cadernos publicados mostram como, ao longo do tempo, a seca vem deixando de ser o inimigo e como está se aprendendo a conviver com ela, e com a chuva", explica Fátima Sudário, editora e coordenadora do projeto. Nas edições factuais, o selo "A Peleja da Água" abraça e nomina todo material que O POVO produz dentro dessa temática.

A diretora-executiva da Redação, Ana Naddaf, abre o livro apresentando o que foi destrinchar um sertão por 20 anos. "O livro, que retrata nossa convivência com a seca, é uma observação minuciosa de uma investigação etnográfica em permanente curso no O POVO. Ao trabalhar com um híbrido entre jornalismo e literatura, abre a possibilidade de explorar novos processos narrativos", explica. Segundo Ana, continuar com a publicação de livros-reportagens, ou que exploram novas instâncias de reportagens e séries já produzidas, pode significar um singular caminho para o fazer jornalístico.

Émerson Maranhão, coordenador de transmídia do O POVO, também dá suas linhas para o livro e explica, num dos capítulos, como se deu o ingresso das narrativas audiovisuais como conteúdo das reportagens especiais. Os webdocs e webséries chegaram sistematicamente ao projeto há quatro anos. "São conteúdos específicos, tanto no audiovisual, como no impresso ou no hotsite, mas que dialogam entre si, cada um autônomo e complementar. É um processo coletivo de criação e hoje está consolidado e feito com excelência", exalta.

Os conceitos sólidos desta cobertura, segundo Maranhão, se afirmam desde a abordagem jornalística e fotográfica ao produto audiovisual e todo o tratamento gráfico. "Toda vez que o carro saiu com a equipe para o Interior, a gente foi em busca de um outro olhar. Nunca a mesma história nem o mesmo lugar", constrói Gil Dicelli, editor-executivo de Arte do O POVO. Ele assina a criação gráfica da maioria dos 15 especiais de reportagens que referenciam o livro.

Para as páginas da publicação lançada nesta quinta, 4, Gil diz que a ideia de usar imagens com uma lente macro "foi de buscar um olhar pela minúcia, de ver as coisas do sertão pelos detalhes". Como uma pausa necessária para refletir sobre o fazer dessa reportagem - ainda não concluída. No miolo da obra, está, por exemplo, a linha do tempo e o contexto das estiagens insistentes - mais de 120 ocorrências desde o século XVI - e a revisita a lugares e pessoas. Também as descobertas, tensões, viradas de rumo e a gênese da pauta.

Também é co-autor do livro o secretário estadual dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira. Ele detalha como a estrutura e a política pública para o setor contribuíram para ir mudando a realidade de convivência com a seca. O prefácio é da jornalista Eleuda de Carvalho, doutora em Teoria Literária pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), professora da Universidade Federal de Tocantins (UFT) e reporteira/poeta de muitos caminhos nos seus tempos de O POVO. A Peleja da Água - Reportagens Etnográficas terá tiragem impressa limitada, mas brevemente ganhará versão digital.

Durante o lançamento haverá um show de voz, violão e sanfona mostrará algumas delas. A interpretação será do jornalista Tarcísio Matos, cronista do O POVO, pesquisador e tradutor do cearês ou cearencês - nosso idioma local. Ele estará na companhia da sanfona de Freitas Filho e do violão de seu compadre Tarcísio Sardinha. Foi um repertório garimpado pelo próprio Tarcísio Matos, mas com escolhas coincidentes com a playlist dos reporteiros.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Exposição] Espaço O POVO de Cultura & Arte recebe exposição do artesão Espedito Seleiro


O Espaço O POVO de Cultura&Arte recebe, entre os dias 30 de janeiro e 11 de fevereiro, a exposição “Espedito Seleiro, Arte de Embonitar o Couro”. O evento de abertura será na noite do dia 30, às 19 horas, e terá um bate-papo de Espedito Seleiro com Demitri Túlio, repórter especial e colunista do O POVO. A conversa se pautará na vida do artesão, em sua trajetória profissional e no reconhecimento do seu trabalho ao redor do mundo. A entrada é gratuita.

Visitando o Espaço.

Na ocasião também será lançado o livro Meu Coração Coroado (Editora Senac), do autor Eduardo Motta, que estará à venda por R$ 165,90. A obra esmiúça a arte de Seleiro, e conta as histórias e referências em cada elemento decorativo e técnica no trato com o couro utilizado pelo artista cearense.

Após o evento a exposição segue aberta até o dia 11 de fevereiro, das 8 horas às 20 horas, com visitação gratuita. Estarão expostas sandálias, coletes, botas, sapatos, saias, móveis, bolsas, carteiras e mochilas. Todos os objetos estarão à venda.











O artesão Espedito Seleiro é cearense e nasceu em 1939 em Nova Olinda, região do Cariri. Popularizou-se pelas estampas e cores que aplica no couro tanto em artigos para vestuário, quanto em móveis. Da pequena loja fincada em Nova Olinda, seu talento atravessou fronteiras de forma definitiva quando foi descoberto por grifes de moda e desfilou na semana de moda São Paulo Fashion Week com a marca Cavalera.

Serviço – Exposição Espedito Seleiro, Arte de Embonitar o Couro
Quando: 30 de janeiro (abertura).
Exposição e venda dos produtos segue até 11 de fevereiro
Onde: Espaço O POVO de Cultura&Arte (Avenida Aguanambi, 282)
Horário: 19 horas
Mais informações: blogs.opovo.com.br/editoradummar e (85) 3255 6176