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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Outubro] Exposição Memórias do Futuro em Ruínas - Mariana Smith

  
A exposição Memórias do Futuro em Ruínas apresenta um olhar para o litoral cearense a partir de um recorte anacrônico entre as Dunas desse litoral e a Praia do Futuro, em Fortaleza. A distopia do projeto futurista é deflagrada em ruínas e fragmentos de uma arqueologia que emerge das dunas e nos conecta a outro tempo, ainda presente. Em trabalhos de vídeo, fotografias e instalações a Mostra redesenha, por uma espécie de cartografia do ventos, a paisagem conhecida. Contemplada pelo edital Temporada da Arte Cearense a exposição é fruto da pesquisa de mestrado da artista Mariana Smith.

Exposição da artista Mariana Smith
Abertura na quinta-feira dia 26 de outubro de 2017
No piso intermediário do Museu da Cultura Cearense, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
Visitação de 27 de outubro a 25 de novembro de 2017






O futuro não é senão o obsoleto ao reverso

Vladimir Nabokov - (Entropia e os novos monumentos de Robert Smithson)

A exposição Memórias do Futuro em Ruínas poderia ser entendida como uma conversa com o vento atravessada por seus gestos, seus rastros, seus movimentos. Em cada trabalho, Mariana Smith deixa-se mover pela natureza incerta dos ventos, captando-os sem capturá-los. É pela experiência da observação, do estar presente, do caminhar, que a artista trilha um percurso que nos permite desvelar estruturas sutis encobertas ou moduladas pelos fortes ventos do Ceará.

Como ponto de partida, a artista elege duas localidades daquela região: os campos de dunas do litoral oeste do estado, e a Praia do Futuro, ainda considerada a principal do perímetro urbano de Fortaleza. As distâncias geográficas entre esses lugares são, então, subtraídas a favor da construção de um olhar anacrônico tecido pelo vento que os aproxima. Trata-se de um fazer arqueológico interessado numa temporalidade que escape ao continuo de uma história evolutiva, abrindo frestas para pensar o presente. Contrária à falaciosa ideia de progresso, a artista volta-se para a necessidade de investigar os aspectos residuais de uma história oca. Diante da exigência de deter atenção no exercício árduo de olhar para o agora, os trabalhos de Mariana Smith provocam uma pergunta subjacente: sobre qual história estamos nos referindo, uma vez que a cidade de Fortaleza parece desmemoriada de seu passado e empenhada em um futuro inalcançável?

Muitas das fotografias que compõem a exposição revelam uma cidade em abandono, em ruína, corroída pela maresia, pelo tempo, pelos ventos. Dessas ruínas, a artista deflagra, com acuidade, o próprio tempo que ali se esconde, invadindo as estruturas arquitetônicas à deriva. As imagens carregam uma consciência do colapso e revelam uma cidade que deixa seu passado ser soterrado em prol de uma projeção de futuro que nunca chega. Nesse impasse, trava-se o embate entre as forças da natureza e a ideia de desenvolvimento para um tal progresso imaginado. Nessa luta, movida por paradigmas econômicos, os resultados são desfavoráveis para todos.

 E é sob a égide de um imaginário coletivo povoado pela ideia de um “país do futuro” que surge, então, o empreendimento do bairro “Praia do Futuro” anunciado, em 1966, pela imobiliária Antônio Diogo que, com a criação de novas avenidas, via na venda de loteamentos na região uma grande chance de lucro. Contudo, em 1984, a imobiliária entra em falência e aquele futuro - que já havia sido anunciado pelo jornalista Luciano Carneiro na primeira página do Correio do Ceará de 4 de março de 1949 com a manchete “Praia do Futuro”, colapsa.

Pelos resíduos desse abandono do futuro, Mariana Smith deixa-se levar pelos ventos até os campos de dunas onde recentemente foram localizados resquícios arqueológicos soterrados pelas areias movidas pelos ventos. Numa região cuja aridez impõe ao enraizamento desafios, descobre-se que ali onde hoje são dunas antes houvera uma comunidade, talvez nômade, que vivera na região há aproximadamente 2 mil anos. Nesse mar de areia, muitas narrativas se sobrepõem como num palimpsesto sem um começo e sem um fim. Por meio de uma escuta atenta, a artista não investe esforços num enfrentamento, apenas deixa-se estar entre os fortes ventos. O trabalho de Mariana Smith propõe uma cumplicidade que potencializa a crítica à recorrente ideia de progresso e seus empenhos ferozes de tudo controlar. A exemplo da instalação de usinas de energia eólica na faixa litorânea de Barroquinha, os ventos são vistos como recurso a ser capturado para beneficiar apenas uma parcela bem restrita da população do país.       

Memórias do Futuro em Ruínas torna-se, portanto, uma espécie de cartografia dos ventos que nos orienta a uma ruptura entre a exigência de manutenção de modelos econômicos tradicionais que insistem num sistema estável de referências, e a negação necessária da certeza para a articulação de novas exigências, significados e estratégias culturais no presente político como prática de resistência. Como no conto A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa, o trabalho de Mariana Smith faz-se presença silenciosa e incômoda ao potencializar outros enunciados capazes de recriar tempos e espaços, uma resistência ao desalento. (De Carolina Soares)

Serviço:
MEMÓRIAS DO FUTURO EM RUÍNAS
Exposição da artista Mariana Smith
Abertura: 26 de outubro de 2017 (Quinta)
No piso intermediário do Museu da Cultura Cearense, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Visitação de 27 de outubro a 25 de novembro de 2017.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

ARTE ALEMÃ] Exposição fotográfica itinerante de Ulrike Ottinger chega ao Dragão do Mar



O Museu da Cultura Cearense, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, recebe a exposição que terá abertura no dia 5 de fevereiro. A mostra traz a Fortaleza 56 fotografias que resgatam o trabalho cinematográfico e fotográfico da cineasta e artista alemã.

 Kalinka Sisters (Ottinger, 1989)
 
A Casa de Cultura Alemã da Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em colaboração com o Goethe-Institut, realizam a exposição fotográfica ULRIKE OTTINGER: RETROSPECTIVA, que terá abertura no dia 5 de fevereiro de 2015, às 19h30, no Museu da Cultura Cearense, no Dragão do Mar. Por meio de 56 fotografias, a mostra apresenta o trabalho cinematográfico e fotográfico da cineasta e artista alemã contemporânea Ulrike Ottinger.

A mostra é uma exposição itinerante do Goethe-Institut, idealizada pela própria artista, em colaboração com Kristina Jaspers, curadora da Deutsche Inemathek de Berlim; e Barbara Honrath, à época encarregada da direção do setor de artes plásticas, na matriz do Goethe-Institut, em Munique. 

A obra perpassa por diversas disciplinas, desde o surrealismo até a etnologia, da ficção ao documentário. As imagens são divididas nas séries Arquitetura, Theatrum Sacrum, Mongólia, O Cotidiano, Em Frente e Feira. Ao contemplar as fotografias, enxerga-se o íntimo do outro e no outro, o próximo. O olhar de Ulrike Ottinger, entretanto, jamais pretende ser objetivo, tanto que sua subjetividade permanece perceptível em todas as imagens. Assim, registra terror e beleza, alegria e melancolia.

As fotografias de Ulrike Ottinger nascem quase sempre em estreita relação com a sua produção cinematográfica. As múltiplas facetas da sua obra se caracterizam por uma linguagem visual própria e muito criativa. Ottinger joga com os nossos padrões de percepção, presumindo que algumas imagens nos fazem pensar que foram elaboradas como extravagâncias inventadas.

O mundo natural e  artificial confluem imperceptivelmente em suas fotografias. A realidade e a ficção se convertem um em outro, da mesma maneira que a fotografia e o cinema.  Viajar, filmar e fotografar são as principais atividades de Ulrike Ottinger quando sai ao encontro de pessoas desconhecidas. Das suas imagens não emana uma postura fria e distante, mas sempre uma atitude respeitosa para com as pessoas e situações que ela captura com a sua câmara.


Encerramento
A exposição de Ulrike Ottinger fica em cartaz, no Museu da Cultura Cearense, até dia 8 de março de 2015, quando será encerrada com programação especial. Aproveitando a data do Dia Internacional da Mulher, será exibido o filme Debaixo da neve (Unter Schnee; Dir.: Ulrike Ottinger, colorido, 108 min, 2010/2011), no mini-auditório do Museu.


Sinopse do filme
Na província japonesa de Echigo, o inverno é intenso. Por mais mágica que a paisagem invernal possa parecer, a vida na neve é árdua para os habitantes da região. Ulrike Ottinger observa o modo de vida nos dias atuais, e simultaneamente envia dois atores para uma viagem ao passado da região. Debaixo da neve é um documentário realista sobre uma região e igualmente uma exploração de seus mitos.

  
BIOGRAFIA DE ULRIKE OTTINGER

Ulrike Ottinger nasceu em 1942, em Constança. De 1961 a 1969, viveu como pintora e fotógrafa em Paris, onde também redigiu o seu primeiro roteiro “Die mongolische Doppelschublade" (A gaveta dupla mongol). Em 1969, voltou à Alemanha e em colaboração com o curso de cinema da Universität Konstanz fundou o clube cinematográfico Visuell, que dirigiu até 1972.

O primero filme LAOKOON & SÖHNE. DIE GESCHICHTE DER VERWANDLUNG DER ESMERALDA DEL RIO (Laokoon & Filhos. A História da modificação da Esmeralda del Rio), com Tabea Blumenschein como protagonista, nasce nos anos de 1971 até 1973. Como em todos os seus filmes, Ulrike Ottinger era responsável pela direção, câmara, roteiro e produção.

Desde 1973, vive em Berlim. Para os seus trabalhos cinematográficos, ela recebeu muitos prêmios, por exemplo, em 1989, o Deutscher Filmpreis (Prêmio Alemão de Cinema)  para o filme Joana d’Arc of Mongolia.  Ulrike Ottinger trabalha também como diretora para teatro e ópera.

Os seus filmes e a sua obra fotográfica foram exibidos em várias retrospectivas e exposições, entre outros, na Bienal de Veneza em 1980; em 1980 e 1982, na Cinemathèque Française, Paria; em 2000 e 2004, no Witte de With Center for Contemporary Art, Rotterdam; no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Barcelona, e na ArtPace Foundation for Contemporary Art, San Antonio; como também no Salzburger Kunstverein, Salzburgo, Áustria.


  
SERVIÇO:
Ulrike Ottinger - Retrospectiva
Abertura: dia 5 de fevereiro de 2015, às 19h30
Em cartaz: de 6 de fevereiro a 8 de março de 2015
Visitação: terça a sexta, das 9h às 19h (com acesso até as 18h30); sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (com acesso até as 20h30). Gratuito.
Onde: Museu da Cultura Cearense, Salas 3 e 4 – Fortaleza / CE.