Após lotar teatros em São Paulo, Belo
Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro, acessando mais de 25 mil espectadores, o
espetáculo chega em Fortaleza para apenas 4 apresentações!

Fotos: Priscilla Prade
Mestre da música popular brasileira, o
saudoso sanfoneiro pernambucano Dominguinhos (1941-2013) é homenageado no
musical Dominguinhos: Isso Aqui Tá Bom Demais, que estreou em São Paulo em 2022
e agora chega em Fortaleza para marcar os 10 anos sem o compositor com 4
apresentações no Cineteatro São Luiz de 20 a 22 de outubro.
O espetáculo foi idealizado pelo diretor
Gabriel Fontes Paiva e pela diretora musical Myriam Taubkin, parceiros no
Projeto Memória Brasileira, que documenta a memória viva da música brasileira
há 35 anos. Já o texto foi criado pela premiada dramaturga e jornalista Silvia
Gomez e traz de forma contemporânea toda emoção daquele que acabou se
consolidando não somente como o mestre do forró, mas com uma carreira musical
própria englobando diversos gêneros como o jazz, o pop e a MPB.
O musical tem construído uma carreira de
sucesso. Foram mais de 25 mil espectadores em 50 apresentações que lotaram
teatros em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro.
Para fazer jus a sua amplitude musical,
a maioria do elenco veio do universo da música, como é o caso de Liv Moraes,
cantora, parceira e filha de Dominguinhos; Cosme Vieira, que tocou sanfona com
Dominguinhos quando ainda era criança; o ator e músico Wilson Feitosa; o
compositor e arranjador Zé Pitoco, de Cupira (PE), que acompanhou Dominguinhos
em inúmeros shows ao longo se sua carreira; Fitti, um dos grandes expoentes da
nova safra de atores e cantores brasileiros e os conhecidos
internacionalmente Hugo Linns, músico
que é referência brasileira em viola e o percussionista Jam da Silva, os três
últimos de Recife (PE).
“Quando Dominguinhos faleceu foi um
momento difícil, porque o acompanhamos de perto. Myriam era uma grande amiga
dele, de longa data, tendo realizado inúmeros shows com a sua participação.
Dominguinhos era muito querido e sempre foi uma delícia trabalhar com ele.
Pouco depois da sua morte, sugeri criar um musical sobre a vida e obra desse
gênio. Foram 7 anos elaborando, negociando direitos autorais e viabilizando o
espetáculo. E hoje eu entendo que conseguimos construir o projeto ideal com
dezenas de outras pessoas que compreendem, respiram e vivem neste universo”,
revela Paiva.
“Mergulhar na vida e na obra de
Dominguinhos foi uma bênção. É o primeiro projeto do gênero musical que
realizamos, Gabriel e eu. Conseguimos entrelaçar o melhor de cada um, nesse
nosso ofício: o teatro - no caso dele - e a música, no meu. Ainda mais sendo um
musical sobre Dominguinhos, que conheci tão de perto e de cuja obra tenho tanta
intimidade”, conta Taubkin
Sobre o processo de construção da
dramaturgia, Silvia Gomez conta que o texto foi escrito ao longo de dois anos a
partir de entrevistas com pessoas que conviveram com Dominguinhos, como
Anastácia, Liv Moraes, além dos próprios Gabriel Fontes Paiva e Myriam Taubkin.
Além disso, o jornalista especializado em música Lucas Nobile assina a pesquisa
documental que apoiou a escrita dramatúrgica.
“Lucas trouxe um material vasto de linha
do tempo, músicas, motivações, notícias e casos da vida desse mestre. O
mergulho na obra incluiu programas, documentários, entrevistas e reportagens de
jornais e revistas de época, além de livros como O Brasil da Sanfona, de Myriam
Taubkin. Nos baseamos em fatos reais e depoimentos públicos de Dominguinhos,
sem, no entanto, deixar de dialogar poeticamente com essa realidade,
ficcionalizando certas passagens que envolvem as personagens evocadas”, comenta
a autora.
Muito mais do que contar de forma linear
e cronológica a vida de Dominguinhos, a dramaturgia explora essa combinação
entre o documental e o poético. “Há um certo lugar delirante em minhas
dramaturgias e, aqui, pude expressá-lo no recorte escolhido como procedimento
narrativo: em seu último momento de vida, Dominguinhos é visitado pelas
histórias, pessoas – e sanfonas – que marcaram sua carreira, como se tudo se
passasse numa fração de segundo infinita do pensamento e da memória. Também sou
jornalista, e, pela primeira vez, pude combinar em uma peça teatral a minha
formação híbrida, entre a dramaturgia e o documento. Ou melhor, pude buscar a
vocação narrativa dessa vida e dessa obra tão importantes para a nossa formação
cultural e afetiva”, acrescenta.
Já a encenação parte de um jogo entre os
atores e músicos, que se alternam nos papéis de Dominguinhos e das pessoas que
fizeram parte da vida dele. “Este jogo tem tudo a ver com a trajetória de
Dominguinhos e com a obra dele. Um homem que viveu para trazer alegria para as
pessoas e que conseguia contar, inclusive coisas tristes, de uma forma alegre.
A encenação parte desta brincadeira com a plateia para que a gente possa
transmitir a energia que ele conseguia levar a todos nós. Quem viu Dominguinhos
tocar ao vivo sabe do que estou falando e é isso que vamos tentar reproduzir”,
explica Gabriel Fontes Paiva.
Ainda sobre a direção, Paiva conta que
buscou resgatar como grandes referências para a montagem elementos importantes
para o sanfoneiro, como a cidade de Garanhuns, em Pernambuco, onde Dominguinhos
nasceu, e os ritmos e danças como forró, baião e xaxado.
“Dominguinhos foi um artista universal,
que extrapolou suas raízes”, diz Myriam Taubkin, diretora musical do
espetáculo. “Suas composições são cantadas e tocadas em todo o mundo e sua
sanfona é reverenciada por músicos de todos os cantos. Talvez ele seja o músico
que mais influenciou acordeonistas no Brasil e no exterior, seja como exímio
instrumentista, seja como compositor. Achei importante trazer esta riqueza ao
público, de como Dominguinhos trafegou por tantos gêneros musicais, da enorme
facilidade que ele tinha para compor, não só ritmos do Nordeste, mas também
inúmeros choros, samba – canções, músicas instrumentais de todos os tipos. O
musical traz os clássicos de Dominguinhos, mas também canções que o público não
conhece, assim como seus temas instrumentais. Mesmo as vinhetas criadas no
musical saíram de suas composições. Com este time de craques no elenco,
procuramos apresentar tanto o forró pé de serra tradicional, que Dominguinhos
tanto amava, como criações originais para suas composições, utilizando a
sonoridade da viola dinâmica nordestina, percussões eletrônicas, sopros, vozes.”
Um pouquinho sobre Dominguinhos
Dominguinhos conseguiu unir o regional
de um Brasil profundo com o que havia de mais moderno na música. Foi um artista
que cantou a experiência humana em sua essência mais luminosa, sempre com
leveza, humor, alegria e poesia.
Nascido em Garanhuns (PE), em 1941, José
Domingos de Moraes iniciou a carreira ainda na infância. Aos oito anos, se
apresentou para Luiz Gonzaga em um hotel de sua cidade natal, sem saber que
tocava para o Rei do Baião. E, aos 13 anos, deixou seu estado com a família
para tentar a sorte no Rio de Janeiro.
Em mais de 55 anos de carreira,
Dominguinhos gravou 40 discos. No último desses trabalhos, Iluminado
Dominguinhos, lançado em DVD em 2010, gravou grande parte de seu repertório
instrumental com a participação de Gilberto Gil, Elba Ramalho, Wagner Tiso e
Yamandu Costa, entre outros.
Suas músicas mais conhecidas são “Eu Só
Quero um Xodó” e “Tenho Sede” (parcerias com Anastácia), cujos registros mais
famosos foram feitos por Gil na década de 1970, “Isso Aqui Tá Bom Demais” e “De
Volta pro Aconchego” (com Nando Cordel), clássico na voz de Elba Ramalho, nos
anos 1980, “Abri a Porta” e “Lamento Sertanejo” (com Gilberto GIl).
“De Volta pro Aconchego” e “Isso Aqui Tá
Bom Demais” fizeram parte da trilha da novela “Roque Santeiro”, aumentando a
popularidade do artista nos anos 1980. Na mesma década, Chico Buarque gravou
“Tantas Palavras”.
Dominguinhos também venceu o Grammy
Latino duas vezes (em 2002 e 2012); o Prêmio Tim de Música Brasileira duas
vezes (em 2007 e 2008) e o Prêmio Shell de Música (2010).
Embora morasse em São Paulo, ele sempre
voltou ao Nordeste, desde as primeiras turnês com seus trios no início de
carreira; nos muitos anos em que acompanhou Gonzagão; e ao lado de Anastácia.
E, nunca deixou de se apresentar nas tradicionais festas juninas de Campina
Grande (PB); Caruaru (PE); Feira de Santana (BA), entre muitas outras cidades.
Adorava Fortaleza, onde fez inúmeros amigos e onde ia descansar de seus
compromissos. Sempre elogiava o povo cearense, como trabalhador e hospitaleiro.
Dominguinhos negava a maneira como sua região, o Nordeste, era tratada – pela
ótica da miséria, da seca, da falta de esperança.
Dominguinhos faleceu no dia 23 de julho
de 2013, depois de uma longa luta contra um câncer de pulmão, deixando um
legado inestimável de valorização da música popular e da cultura nordestina.
Sinopse
O musical conta passagens da vida e da
obra de Dominguinhos misturando documento e ficção. O artista relembra sua
trajetória através de fatos, músicas e parcerias profissionais e afetivas,
enquanto conversa com sua maior e fiel companheira, a Sanfona.
Liv Moraes é cantora e filha de
Dominguinhos e ingressou profissionalmente na música aos 18 anos como backing
vocal da banda de seu pai, percorrendo o Brasil por vários anos realizando
shows. Em 2002, fez sua primeira participação gravando a música “Desenho”, no
CD “Lembrando de Você”, de Dominguinhos. Convidada por Toninho Horta,
interpretou “Amar como te amo” no CD “Com o pé no forró”, que foi indicado ao
Grammy Latino. Cantou com grandes nomes da música brasileira, como Gilberto
Gil, Elba Ramalho, Jane Duboc, Yamandu Costa, Fábio Júnior, Lenine, Fagner,
Toninho Horta e Maestro Spok.
Cosme Vieira tem uma trajetória parecida
com o próprio homenageado. Ambos iniciaram a carreira de sanfoneiros ainda
crianças e, antes de completarem 10 anos, tocaram para ícones que foram seus
padrinhos. No caso de Dominguinhos, ele tocou para o grande Luiz Gonzaga, que
já era conhecido como o Rei do Baião, embora o menino não soubesse disso. Já
Cosme teve como mestre o próprio Dominguinhos. Atualmente, Cosme toca por todo
Brasil acompanhando grandes nomes da música como Ivete Sangalo, Duani, Zeca
Baleiro, Mariana Aydar, Liv Moraes, Cláudia Leite, Toninho Horta e outros.
Zé Pitoco, com forte atuação na cena
musical, é um grande representante da música regional nordestina em São Paulo.
Transitando entre o clarinete, o saxofone e a zabumba, esse multi
instrumentista e arranjador pernambucano expressa na música o cotidiano de um
nordestino que vive na capital paulista. Tocou com grandes nomes, entre eles o
próprio Dominguinhos, com quem fez inúmeros shows. Atualmente integra o grupo
de Antônio Nóbrega, sendo um de seus principais componentes e arranjadores. Foi
integrante da Orquestra Popular de Câmara, ao lado de Benjamim Taubkin, Teco
Cardoso, Mané Silveira, Guelo, Caíto Marcondes e Monica Salmaso.
Hugo Linns é violeiro, baixista,
arranjador, compositor e diretor musical. Toca e compõe em viola dinâmica de 10
cordas desde os 18 anos, em sua terra natal, Recife. Linns tem cinco álbuns
lançados com renomados artistas brasileiros e internacionais, como o
percussionista sueco Sebastian Notini e o violoncelista francês Olivier
Koundouno, lançado pelo selo alemão Martin Hossbach. Em 2018 foi vencedor do 9º
Prêmio da Música de Pernambuco como melhor álbum de música instrumental.
Jam da Silva é percussionista, natural
de Recife. Traz uma abordagem inovadora em suas produções, uma mistura de
artesanato com invenção. Parte de suas criações vêm da rua, com ruídos e ambientações
urbanas e parte vem de sua construção musical, com diversos instrumentos de
percussão. Seu trabalho faz com que possua grandes parcerias com artistas
nacionais e internacionais como Massilia Sound System, Moussu T et les jovents,
Troublemakers, Camille e Sebastien Martel, Marisa Monte, Elba Ramalho, Roberta
Sá e muitos outros. Foi vencedor de melhor trilha sonora em 2011 com o filme Os
Narradores de Javé.
Fitti, fruto de Recife, é multiartista e
estreou recentemente no elenco da série original da Netflix, “Só Se For Por
Amor”. Aos 14 anos, viralizou na internet com um vídeo interpretando Sozinho,
de Peninha. Desde então, abriu shows de grandes nomes como João Bosco, Zé
Renato e Guilherme Arantes, sendo hoje um dos grandes expoentes da nova safra
de atores e cantores brasileiros.
Wilson Feitosa é ator e professor de
música formado em Licenciatura Plena. Sua carreira artística possui trabalhos
como “Os Sertões” no Teatro Oficina e “Mãe Coragem”, com Bete Coelho. Com
música e teatro, participou de diversos festivais pelo Brasil e pelo mundo e
traz mais de vinte peças teatrais, filmes e séries em seu currículo. Toca
acordeão, violão, cavaquinho e percussão.
Ficha Técnica
Dramaturgia: Silvia Gomez
Direção: Gabriel Fontes Paiva
Direção musical: Myriam Taubkin
Elenco:
Liv Moraes
Fitti
Cosme Vieira
Hugo Linns
Jam da Silva
Wilson Feitosa
Zé Pitoco
Desenho de Movimento: Ana Paula Lopez
Desenho de Luz: André Prado e Gabriel
Fontes Paiva
Figurino: Ana Luiza Fay
Cenário: Gabriel Fontes Paiva
Pesquisa documental e consultoria de
repertório: Lucas Nobile
Preparação vocal: Ana Luiza
Assistente de direção: Ana Paula Lopez e
André Prado
Assistente de direção musical: Hugo Linns
Coordenação técnica: André Prado
Desenho de som e operação: André Omote
Assistente de som: Tales Zelic
Direção de Palco: Dani Colazante
Montagem e operação: Cassio Omae
Camareira: Rosa Passe
Design gráfico: Teresa Maita
Fotografia de estúdio e cena: Priscilla
Prade
Social mídia: Daniela Stirbulov
Gestão de Projeto: Luana Gorayeb
Assistentes administrativos financeiros:
Beth Vieira e Rogério Prudêncio
Assistente de produção: Dairzey Abnara
Produção executiva: Camila Scheffer
Produção Local: Free Lancer Producções
Assessoria de Imprensa Local: Divulga
Ação
Direção de produção: Dani Angelotti
Realização: Fontes Artes e Projeto
Memória Brasileira
Serviço
Dominguinhos: Isso Aqui Tá Bom Demais
Apresentações: de 20 a 22 de outubro
Sexta às 20h, sábado às 16h e às 20h e
Domingos, às 18h
Cineteatro São Luiz – Rua Major Facundo,
500 – Fortaleza / CE
Ingressos:
Inteira - R$ 100,00
Ingresso Popular R$ 50,00
Meia entrada – R$ 50,00
Vendas online:
https://bileto.sympla.com.br/event/86603/d/214907
Ou na Bilheteria do Cineteatro:
funcionamento de terça a sexta, de 9h30 às 18h, e aos sábados, de 9h30 às 17h.
Classificação: 12 anos
Duração: 110 minutos
Capacidade: 1000 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível para
PNE.
Livreto em Braile disponível em todos os
espetáculos
Acesse: www.dominguinhos.com.br
Instagram:
https://www.instagram.com/dominguinhosmusical/
@dominguinhosmusical
Fonte:
Assessoria de Imprensa.